ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

UNIVERSIDADE POPULAR DO PORTO

Ontem um grupo de alunos da Universidade Popular do Porto, orientado pela Arquitecta Annie Gunther, fez uma visita de estudo ao edifício do Núcleo do Porto da Liga dos Combatentes.


Durante a visita puderam apreciar as características arquitectónicas do edifício e as manifestações artísticas que embelezam o seu interior. A maioria dos alunos ficou surpreendida com a qualidade do edifício e com o seu bom estado de conservação e com o facto de nele se encontrarem tantos motivos de interesse, dos quais destacaram a bela clarabóia com o seu magnífico trabalho em estuque e a beleza dos tectos.



Ficaram, igualmente, surpreendidos com o interessante espólio do museu composto, principalmente, por peças relacionadas com a I Guerra Mundial e com a Guerra do Ultramar.




Também visitaram a galeria de arte pertencente ao Núcleo, instalada no mesmo edifício e que se encontra disponível, de forma gratuita, para a realização de exposições de qualquer tipo.
O edifício onde se encontra instalado o Núcleo do Porto da Liga dos Combatentes, bem como, o museu e a galeria podem ser visitados, individualmente ou em grupo, durante os dias úteis, da parte da tarde, embora no caso dos grupos se aconselhe um contacto prévio.

domingo, 18 de janeiro de 2009


Caso Freeport ou a história de Alibabá
Coveiros ao Poder!!!!
Precisam-ser para enterrar a corrupção que grassa neste pedaço de Pátria amorfanhada.
Apelo ao VOTO EM BRANCO!!!!
Coveiros ao Poder e ( alguns...eheheh) Assessores a Coveiros ( da Nação).
Diário da República nº 255 de 6 de Novembro 2008:
EXEMPLO 1
No aviso nº 11 466/2008 (2ª Série), declara-se aberto concurso no I.P.J. para um cargo de "ASSESSOR" - vencimento 3500 EUR.
Na alínea 7:... "Método de selecção a utilizar é o concurso de prova pública que consiste na ... Apreciação e discussão do currículo profissional do candidato.
"EXEMPLO 2
No aviso simples da pág. 26922, a Câmara Municipal de Lisboa lança concurso externo de ingresso para COVEIRO - vencimento 450 EUR
Método de selecção:Prova de conhecimentos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 minutos.
A prova consiste no seguinte:
1. - Direitos e Deveres da Função Pública e Deontologia Profissional;
2. - Regime de Férias, Faltas e Licenças;
3. - Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos.Depois vem a prova de conhecimentos técnicos…Por fim, o homem tem que perceber de transporte e remoção de restos mortais.Os cemitérios fornecem documentação para estudo.
Se o candidato tiver:
- A escolaridade obrigatória somará + 16 valores;
- O 11º ano de escolaridade somará + 18 valores;
- O 12º ano de escolaridade somará + 20 valores.
No final haverá um exame médico para aferimento das capacidades físicas e psíquicas do candidato.
Pergunto-me: - ISTO TUDO PARA UM VENCIMENTO DE 450 EUROS MENSAIS??Enquanto o outro, com 3,500 euros só ó precisa de uma cunha.
Este regabofe tem que ter um fim. Afinal é fácil chegar a Ministro em Portugal!!!Basta ser corrupto e ter artimanhas, muita imaginação e saber roubar trajando black tie!!!
A propósito de vestuário e de outras alcavalas....que tal se o (des) Governo do sr. Sócrates desse o exemplo de austeridade e começasse a reduzir despesas??? Humm? afinal até já tem o futuro garantido...daqui uns anitos aquilo que meia-dúzia de portugueses vislumbram...será claramente visto por outros tantos....( caso Casa Pia.....deixemos passar mais uns 25 anos....e ficaremos então todos sabedores (entretanto já os coveiros exerceram a sua função...)
Mas vamos ao cerne da questão:
AVISO: Esta noticia podendo ser uma verdade, será sempre uma mentira...), como tantas outras, acobertadas por grossos tentáculos de um POLVO acompanhado de arroz malandrinho ( à portuguesa). ( Ou preferiam Carne à Bolonhesa??)
( segue-se a transcrição de um artigo publicado em Inglaterra sobre o "Caso Freeport")

Fonte : http://aarrobadaspalavras.blogspot.com/



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A China e a CPLP - O Reverso da Medalha

A República Popular da China iniciou uma campanha de investimentos em África procurando obter novos recursos minerais e agrícolas, sob a camuflagem do “Standard Bank”, de cujo capital social 20% pertencem ao banco estatal chinês “Industrial & Commercial Bank of China”.
Os chineses têm na mira o petróleo e o gás da Nigéria, o alumínio,o ferro e o manganês do Gana
uma basta gama de metais estratégicos da República Democrática do Congo e carvão, peixe e produtos agricolas de Moçambique. Logicamente que irão tentar utilizar a CPLP como alavanca, o que pode não ser mau desde que os políticos saibam tirar daí partido e defender os interesses dos seus países, para o que devem começar a olhar já para o que se passa à sua volta. De várias partes do Mundo, surgem sinais de manifesta preocupação quanto aos verdadeiros desígnios dos investimentos económicos que a República Popular da China tem vindo a efectuar nos últimos anos. No que se refere a África, convém não esquecer que o que mais interessa às empresas estatais chinesas é o petróleo, os minerais e , o que torna tudo mais preocupante, a aquisição de terras férteis. O Ministério da Agricultura chinês anunciou o apoio oficial da China à aquisição de terras em África e América Latina, terras essas que passarão a ser exploradas por trabalhadores chineses a fim de fornecer alimentos a um país que se encontra à beira de não poder produzir comida para consumo próprio.
Convém que os africanos analisem o que se tem passado na Austrália, país normalmente favorável ao investimento estrangeiro, onde a entrada de capitais chineses começou a provocar uma onda de desconfiança quando, depois de terem adquirido 9% de uma mina de minério de ferro, os chineses tentam obter o controle de outras minas, de vias-férreas de exportação e dos portos da Austrália Ocidental. Os australianos têm boas razões para se sentirem receosos, na eventualidade das instituições estatais chinesas passarem a ter o controlo da gestão dessas empresas. Caso isso venha a ocorrer, não tardará que as exportações para a China passem a ser efectuadas a preços prejudiciais para a Austrália.
Mas a situação em África também começa a ser preocupante !!... Já em 2007 o Presidente Thabo Mbeki da África do Sul lançou um aviso a todo o continente africano para que não se envolvesse em novas relações de timbre colonial com a China. Foram poucos os que escutaram as palavras de Mbeki !!.. Agora, começam a aparecer as consequências. Os zambianos e os congoleses manifestaram preocupação relativamente a investimentos chineses em minas existentes de cobre e cobalto, algumas das quais encontram-se vedadas ao público e que funcionam sob a alçada de gestores e força laboral provenientes da China, em detrimento da mão-de-obra local.Em 2007, a China e a República Democrática do Congo assinaram um acordo no montante de 8 mil milhões de dólares, destinado à construção de infra-estruturas diversas a troco de matérias-primas. Questiona-se, entretanto, o preço a que serão exportados os minerais congoleses no âmbito do referido acordo.No Sudão, país que recebe ajuda militar da China, não obstante as atrocidades cometidas na região de Darfur, o governo chinês despendeu biliões de dólares em furos de petróleo e em oleodutos para explorar as vastas reservas que se encontram no subsolo daquela região sudanesa.
Mas Angola já tem exemplos nefastos da cooperação com os chineses. Há poucos anos atrás, a China deslumbrou os angolanos ao oferecer-lhes o edifício dum hospital. O hospital chegou em painéis, foi montado em pouco tempo por pessoal vindo da China e, passado pouco tempo, começou a dar problemas quanto à qualidade da construção. Não só o que foi oferecido era de má qualidade como não utilizou nenhuma mão-de-obra local.
Cooperação deste tipo dispensa-se muito bem !...
Resta-nos, agora, desejar que os políticos comam pouco kalulu e durmam menos vezes a sesta. As novas gerações da CPLP agradecem !!!....

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A China e a CPLP

Um fundo de desenvolvimento, com um capital de 5 biliões de dólares, foi criado recentemente pelo Governo chinês, para a promoção de negócios em África. Este fundo será apresentado em breve numa reunião de promoção de projectos africanos que a República Popular da China vai realizar na cidade de Pequim.
O interesse da China na CPLP pode ser explicado por quatro razões, segundo os especialistas internacionais:
segurança energética (garantia de fornecimento de petróleo e gás natural),
recursos naturais,
um mercado potencial de 230 milhões de consumidores e
diplomacia (a CPLP poderá ser uma plataforma que ajude a isolar internacionalmente Taiwan). Este ponto é, aliás, uma das contrapartidas que o Governo de Pequim exige em troca da sua ajuda/investimento.
A diplomacia chinesa, cada vez mais sofisticada, está a alargar o seu interesse dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) ao Brasil, Timor-Leste e até mesmo a Portugal, ou seja, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Em pouco mais de um ano, Pequim elegeu Portugal como parceiro estratégico, reduziu a dívida externa dos países africanos da CPLP, triplicou a ajuda a Timor-Leste e disponibilizou cerca de 8,2 milhões de dólares em empréstimos sem juros aos membros desta comunidade.
Mas este ano haverá mais.

Perante estas iniciativas, espero que os descrentes na CPLP comecem a ver a importância que ela já tem e o papel relevante que pode desempenhar na cena mundial.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Imago
Texto de Adriana Costa

Tem amor que sofre uma metamorfose invertida
Começa imago a voar com grandes asas de desejo
se equilibrando a cada brisa de emoção
desafiando
mas à primeira decepção vira larva
e se arrasta como pode
com o tempo trava-se o silêncio dentro da crisálida
amor sem palavras
até olhar somente para dentro
em fase de ovo.
Comentário: que maneira tão bela de versejar ! Em pouco frases a autora consegue descrever
todos os passos da paixão utilizando a bela imagem da "metamorfose invertida".
É bem verdade que quando queremos dizer algo em poucas palavras devemos perguntar aos poetas.
Depois de ler estes versos o mínimo que se pode dizer é que a poesia corre nas veias da autora.
fronteiras
Texto de Adriana Costa

O toque da tua pele eu anseio
E desejo as carícias de tuas mãos
Colhendo os frutos do desejo em meus seios

Imploro a umidade dos teus lábios doces
E a invasão da tua língua em minha boca
Sou um país aguardando a tua posse
Finca tua bandeira com dentes em minha pele
Explora a perder de vista meus horizontes
Amor sem fronteiras que se revele

http://vERSOS bÁRBAROS,blogspot.com


sábado, 10 de janeiro de 2009

Mais Uma Raridade : Dany Kaye e Louis Armstrong

video

Danny Kaye foi um extrordinário comediante nas décadas de 50 e 60 do século passado; ganhou milhões e morreu praticamente sem um tostão, em Los Angeles, a 3 de Março de 1987.
Para além de actor e cantor foi um excelente interprete de jazz e clarinetista tocando quase somente para os amigos...
Tudo o que recebia dava aos mais necessitados; ajudou muitos colegas que ficaram na miséria e distribuía o resto por instituições.
No ano 2000 a UNESCO considerou-o Cidadão do Mundo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Acidente de Cristiano Ronaldo e os Belgas

Logo pela manhã recebi uma boa notícia ! Não…descansem os adeptos do futebol. A boa notícia não foi o acidente que Cristiano Ronaldo teve, nem a confirmação de que ele tinha 350.000,00 Euros para comprar um Ferrari que, logicamente, teria de ser comprado no Porto por ser a capital da região da Europa onde há mais Ferraris por metro quadrado.
A boa notícia é que os belgas já têm sentido de humor !....
É sobejamente conhecido que os belgas são o povo mais taciturno e intratável de toda a Europa. Pelo menos, eram. De tal forma que eu achei sempre bem os políticos e os eurofuncionários terem os vencimentos e ajudas de custo que têm porque, só para terem de conviver com um povo daqueles, merecem bem tudo o que recebem. Mas isto veio só a talho- -de-foice…
A notícia que me encheu de alegria e que me arrancou uma boa gargalhada, foi saber que, num blogue belga, o acidente do Ronaldo foi comentado com um acesso de humor pouco habitual nos belgas, o que me deixou não só surpreendido como agradado. Senão, vejam o conselho final que o autor do blogue teve a suprema inspiração de endereçar ao acidentado futebolista :

“ se não tens mãos para tantos cavalos, então passa a andar de burro !...”

Que tal ?... É ou não é uma frase cheia de humor e acutilância ? Nada vindo de um belga me fez rir tanto como esta frase, nem mesmo a imagem, que ainda há pouco tempo vi, do rei Balduíno quando lhe tiraram a espada no ex-congo belga.
Estão, portanto, os belgas de parabéns ou, pelo menos, o autor do blogue.
É de muita gente com espírito de humor como este que o Mundo precisa.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Lusofonia como comunidade de destino

Nos tempos mais recentes temos testemunhado o aparecimento de várias iniciativas lusófonas que, creio eu, têm vindo a tentar colmatar a inacção da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que existe mais no papel do que no mundo material. Entre estas, e outras há, numero o surgimento desta revista, da revista “Nova Águia” e ainda da “Magazine Grande Informação” e a “Afro”, todas elas publicações nitidamente lusófonas. Adicionalmente surgiram também, além da associação que gere esta publicação, o Movimento Internacional Lusófono e o Instituto da Democracia Portuguesa – Instituto este que também tem como bandeira a Lusofonia.Muitos dos membros de todos estes movimentos, entre os quais me incluo de quando em vez devido ao meu cepticismo, acreditam que Portugal e os países lusófonos terão um papel relevante no futuro colectivo do planeta, alguns apontam a já existente CPLP como uma organização que, bem trabalhada, poderá vir a obter o seu relevo internacional nos campos cultural, económico, social e inclusive militar uma vez ultrapassados os traumas existentes entre a antiga potência colonizadora, que foi Portugal, e as antigas colónias, e já é bem a Hora de ultrapassarmos todos esses traumas e construirmos, unidos, uma comunidade de destino comum: a Lusofonia!
Pela minha parte tendo a crer que a CPLP poderá não ser suficiente, como o próprio nome indica aceita somente países e existem nações lusófonas que não possuem nem Estado ou país seu, assim de memória consigo realçar Macau, a Galiza e a Goa portuguesa, e outras certamente existirão uma vez que já ouvi de alguns açorianos, e madeirenses também existirão a pensar da mesma forma, que gostariam que os Açores tivessem uma voz na CPLP, podendo os governos regionais colaborar onde o governo nacional não o faz… mas é uma questão delicada esta, já que acaba por insinuar algumas tendências separatistas. Goa, Macau e Galiza portanto, comunidades lusófonas que não são países, onde se incluem? Poderá a CPLP criar um estatuto para estas regiões de modo a participarem na mesma? Estou em crer que sim (volta e meia sou muito crente).
O mundo avança a um ritmo cada vez mais rápido, a Rússia desperta, o Império americano mantém-se, o Movimento dos Não Alinhados acaba por se ir alinhando, aos poucos, num dos lados… surge-nos a Lusofonia como terceira via, uma comunidade internacional espalhado pelos continentes europeu, africano, americano e asiático.Poderá advir daqui um novo bloco de influência internacional? Uma vez mais, creio que sim, mesmo a nível militar já imaginaram um contingente constituído por militares brasileiros, portugueses, timorenses, moçambicanos, angolanos e etc.? Um bloco de países nitidamente desfavorecidos e tidos, a Ocidente, como “terceiro-mundistas”, países que, como um todo, contam com uma riqueza material e cultural tão diversa quanto única, todos diferentes mas com uma língua que os une.Estaremos prontos para auxiliar na construção deste comunidade de destino? Por mim, desde já, digo Presente!
Publicado no terceiro número da revista electrónica Sem Correntes, propriedade da Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira.

Conversa com MIA COUTO

Por Fábio Zanini*


Mia Couto é um dos mais conhecidos escritores africanos da actualidade. Moçambicano da Beira, 53 anos, filho de portugueses (branco, portanto), já foi comparado a Guimarães Rosa e aparece frequentemente na lista de possíveis vencedores do Nobel de Literatura (provavelmente não para breve, no entanto, já que Mia ainda é relativamente jovem e a língua portuguesa ganhou recentemente o prémio com José Saramago).
Ele me recebeu em seu escritório no centro de Maputo, há duas semanas. Na verdade, peguei uma boleia com meu amigo Leonencio Nossa, repórter de O Estado de S. Paulo, que havia marcado a entrevista e me convidou para acompanhá-lo. Eu confesso que não conheço nada da obra desse sujeito baixinho e franzino, piadista e hiperactivo, que já tem 20 livros publicados, todos tentando decifrar a alma moçambicana.
Deixei toda essa parte literária para o Leo perguntar. Mas esse escritor também é um analista muito interessante da sociedade e da política africanas, e suas opiniões eu resumo a seguir.
Logo no início, me estranhou o local onde nos encontrámos. Que lugar era aquele?, perguntei. Era a sede de uma consultoria de projectos ambientais, da qual o biólogo Mia Couto é director. “Não sou apenas escritor, também faço coisas sérias”, afirmou, para quebrar o gelo.
Sentámos numa mesa de madeira enorme e nos pusemos a prosear.
De cara, deu para perceber que Mia é um intelectual que não se conforma com velhos estereótipos e ideias pré-concebidas sobre o continente em que vive. “A África ainda é vista pelo mundo como uma coisa exótica, de um velho contando histórias perto de uma fogueira, dos feiticeiros, dos curandeiros”, disse. Essa, segundo ele, é uma imagem que ignora 50 anos de independência africana, de urbanização dos países, industrialização e formação de algumas das mais barulhentas metrópoles desse planeta (tente contar histórias ao redor de uma fogueira em Lagos, na Nigéria, ou Kinshasa, no Congo, por exemplo...) . Muito pouco de bucólico, portanto.
O pior, diz Mia Couto, é que essa imagem é o pilar sobre o qual os africanos construíram suas sociedades. “É alguém que se olha para o espelho, mas esse espelho foi inventado por outro”.
Num continente em que se culpa até dor de dente na colonização, como faz Robert Mugabe no vizinho Zimbábue, o escritor moçambicano pede que sejam estabelecidos limites sobre o quanto pode ser debitado na conta da história. “Esse argumento do passado, essa posição vitimista de que a história é contra nós, está saturado. Não se pode pensar que é tudo derivado da herança colonial. Esse discurso tem de terminar”, diz ele.
Moçambique é um país considerado modelo de crescimento, democracia e estabilidade na África, mas Mia Couto é um intelectual inconformado. Reconhece os avanços, mas mostra uma certa melancolia.
“No fim da guerra, em 1992, tínhamos a crença de que éramos capazes de construir tudo. Fizemos paz, um sistema político aberto, multipartidário, e algumas coisas estão mudando. Temos liberdade de imprensa, de pensamento. Mas há outras coisas que são tristes. Nós pensávamos que iríamos inventar um país com um sistema próprio, fundamentado na cultura moçambicana. E agora percebemos que temos um país como outros. Só temos um nome diferente”, afirma ele.

É um paradoxo o que Mia Couto enxerga: para ser um modelo de estabilidade, foi preciso adoptar modelos importados que tornam todos os países mais ou menos iguais (reformas macroeconómicas inspiradas pelo FMI, por exemplo). O que vale mais, as vantagens da previsibilidade ou a tristeza da padronização?
Mia Couto é também visto como um rebelde, mas, talvez pelo peso da idade, isso tem seus limites. Ele ameaçou se rebelar contra o acordo ortográfico que vai vigorar a partir do ano que vem e padronizará (mais uma padronização...) a língua portuguesa nos oito países que a adoptam oficialmente. Mas desistiu: vai-se submeter à regra, embora continue crítico dela. “O mais perigoso é que está se criando uma ilusão de que é por essa via que se cria proximidade entre as literaturas dos países lusófonos”.
E o Brasil? Mia é um adorador assumido do nosso país, e viaja para cá sempre que pode (virá de novo em Dezembro para um seminário). Pergunto a ele se a presença crescente de empresas brasileiras em Moçambique não pode ser vista como uma nova forma de colonialismo. Ele responde de forma surpreendente. “Nós adoraríamos ser colonizados pelo Brasil. A única maneira de ser independente é ser dependente de vários”.
Por ali, como em todos os cantos do mundo, também se vê muita novela da Globo. Ele não gosta, mas é voto vencido em casa. “No horário das novelas, eu tenho de ir para o computador, sou expulso da sala pelo resto da família”. Pior, diz ele, é a imagem distorcida do Brasil que é passada. “Muitos moçambicanos conhecem apenas o Brasil das novelas, esta máscara que se apresenta”.
A entrevista vai terminando e pergunto por que raios ele tem uma empresa de consultoria ambiental? Mesmo com todo seu renome não consegue viver só da literatura? Ele diz que conseguiria, mas que não quer.
“Eu posso confessar que hoje já conseguiria sobreviver razoavelmente como escritor. Mas não quero, por várias razões. A escrita é uma paixão total, quero manter com ela uma relação lúdica, em que não dependa dela para ganhar dinheiro”.

in SAVANA